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Publicada em 25/03/20 às 12:31h - 65 visualizações
Em viagem de moto pelo Rio São Francisco, o cozinheiro francês Claude Troisgros descobriu o Brasil que muitos brasileiros desconhecem
“O São Francisco alimenta a agricultura e economia de cinco estados brasileiros. O bem-estar da Caatinga e do Cerrado depende das suas águas. É a fonte de água potável de muitos nordestinos”, disse Troisgrois à CHICO. “O Rio São Francisco não pode morrer”

Karla Monteiro


Divulgação  (Foto: Divulgação Claude – Além da Cozinha)

Ora provando os queijos da Fazenda Aroeira, na Serra do Mocambo, em Poço Verde, em Sergipe, ora adentando os sabores da Caatinga com o chef Timóteo Domingos, alagoano, radicado em Canindé do São Francisco, também em Sergipe, criador do Projeto Gastrotinga. De moto, o francês Claude Troisgros, badalado cozinheiro e chef- celebridade da TV, à frente do programa “Que marravilha”, do canal GNT, percorreu 2.147 quilômetros, quatro estados, Alagoas, Pernambuco, Bahia e Sergipe – tendo o Velho Chico como guia: “Era um sonho meu conhecer o São Francisco, essa lenda”. Sua jornada virou um documentário: “Claude – Além da Cozinha”.

“O São Francisco alimenta a agricultura e economia de cinco estados brasileiros. O bem-estar da Caatinga e do Cerrado depende das suas águas. É a fonte de água potável de muitos nordestinos”, disse Troisgrois à CHICO. “O Rio São Francisco não pode morrer”.

Na verdade, descobrir novos ingredientes nacionais sempre foi a praia de Claude Troisgrois. Em 1979, ele desembarcara no Rio de Janeiro. Vinha com a missão de comandar a cozinha de um hotel de luxo na cidade. Logo, porém, abriu o primeiro restaurante, o Roanne, revolucionando a culinária ao adicionar à sofisticação francesa produtos bem brasileiros, como mandioquinha, maracujá, jabuticaba. Como vai contando ao longo do documentário, um filme ontheroad capitaneando pelos encontros com o sertão, a mistura, a princípio, recebeu muitas críticas. Afinal, quem iria a um restaurante francês comer jiló? Exatos 40 anos depois, Troisgrois é dono de sete restaurantes, entre Rio de Janeiro e São Paulo.

Ao pegar a rota do Rio São Francisco, sua ideia era desbravar a culinária sertaneja: “A gastronomia local é forte. Conhecer a pegada da culinária da Caatinga é muito interessante para mim”, anunciou logo na largada. Decerto, ele não tem medo de experimentar. Na tela vemos o gringo de fala enrolada se aventurando numa buchada de bode, provando pela primeira vez um bom pitu, mastigando cascas de variados cactos, do mandacaru ao xique-xique. Além da comida, Troisgrois deslumbrou-se com a paisagem da costa do sertão, como os cânions do Parque Nacional do Catimbau, em Buíque, Pernambuco, e a foz do Velho Chico, em Pontal do Peba, Alagoas.

“Eu sou motociclista desde os 17 anos de idade. Ando de moto todo dia, é minha paixão, não consigo andar de carro nem na cidade”, explicou Troisgrois, que todos os anos pega alguma estrada da América Latina. E ressaltando, que, diante da deslumbrante paisagem e as delícias do sertão: “Quase tudo que estava programado foi para o beleléu”.

 

Assessoria de Comunicação CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Karla Monteiro
*Foto: Divulgação Claude – Além da Cozinha




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